segunda-feira, 14 de julho de 2008

Tempo para escrever

Se eu tivesse tempo

Passava a vida inteira a escrever .

Mas neste preciso momento

Estou a deitar os estudos ao vento

Para te poder escrever.

E amanhã sofrer as pesadas consequências

Daquilo que devia estar a fazer.

• não fizeste porquê?

• não tive tempo!

• e queres que eu acredite nisso!

- (não!) Pensa a minha cabeça de vento.

Estou farto! Deitar-me á uma e ás duas

Para acordar ás seis da madrugada.

E ainda gastar mais uma hora de transportes

Nesta e outra camioneta apinhada.

Estou farto! Não quero saber de nada.

E deixo para vós que sois fortes,

A parte absurda desta caminhada.


09/12/1998

Tudo corre

Vida sem sentido

Que sinto viver,

Aqui nesta periferia,

Triste sem saber.

Feliz, feliz!

Triste alegria

Sinto doer

A minha ampla apatia.

Poder de compra,

Dinheiro.

Arquitecto;

Pedreiro.

Que interessa,

Que interessa tudo,

Se a vida corre depressa,

E eu sou tão mudo.

Tudo passa, tudo acaba.

Mas aqui nesta terra baça

Há tudo, e não se vê nada.

Pois o que perdura

Já se acaba.


21/04/1999  16:10 h

Diferente

Não sei se é sonho

Se fantasia.

Aos meus olhos o mundo é medonho,

O mundo dos doutores e da filosofia.

Porque são todos tão iguais

E eu tão diferente.

Porque proliferam animais

E não gente decente.

Como é possível viver onde

Ninguém gosta de nós

E todos nos enganem. Crescer

Destino tão atroz.

Ser discriminado, marginalizado,

Pensar que se tem voz

E não ser mais do que apenas um atado

Louco e mal tratado

Por todos os que o rodeiam.

Ser odiado; amado; não!!! Nada! Nada!

Ser apenas tomado como um numero,

Uma aberração um energúmeno.

Não ser nada, nada para ninguém,

Uma aberração, um rei.

Nada, nada para ninguém.

É ser, é ter a chama da vida

E ninguém que a saiba acender.

É ter amor e ninguém para amar,

É ser Eu; a poeira intemporal;

Sou um grão nessa poeira.

Quer seja Eu, alguém, bem ou mal

Haverá sempre esta angustia em mim

De caminhar só, e só para o fim.


06/03/1999  1:28 h am

Ricardo Reis e o 6,6,6,

Ricardo Reis e o 6,6,6,

Rima e fica bem.

O Ricardo é o Reis

E o 6,  6,6,6.

A vida é uma porcaria

E eu não quero saber dela.

O melhor de tudo é

O sangue jorrado nesta viela.

A chuva chove a potes,

A água não é molhada,

São estes os profundos cortes

Que emergem na minha estrada.

A velocidade é 2,6,6,

A estrada 6,6 é,

Trago ao lado o 6,6,6,

E uma merda de uma fé.

Vou torto, no meu caminho direito,

Vou morto, sempre a eito.

Sou fogo no teu leito

Desidratado por efeito.

Sou cor, som e cheiro,

Ódio, amor e Caeiro.

Sou uma merda de um todo

Que não sabe viver pelo seu peito.

Sou um pensamento universal

Senhor por direito.

Sou a fome de um chacal,

Do Egipto senhor e escaravelho.

Tenho tudo num sonho

Que sonho ter,

Sonhei que morro,

Mas já não sei viver.

Já não me apetece fazer nada,

Merda para a puta da estrada.

Grito e ninguém me ouve,

Tudo para a merda

E merda para tudo,

Foda-se; caralho.

Não vivo!! Estudo


12/03/1999  18:45 h

humanidade querida!

Foda-se.

Eu mando á merda

Todo o estudo.

Todos os que não sabem ensinar

E um sistema

Que só serve para desmotivar.

Sou ainda muito jovem

E tenho essa infeliz consciência.

Eu não posso e eles podem,

Eu escrevo e eles fodem

A minha e a tua cabeça,

Não à nada,

Nenhum mundo que me mereça.

Em dor comerei e beberei

Da vossa cultura

Todos os dias da minha vida.

O que quero bem o sei,

Sarar uma ferida,

E eliminar esta dor,

A minha humanidade querida!


15/04/1999   08:55 h

execravel escola

Estou farto da escola

E dos seus professores

Cheios de ares superiores.

E os alunos

Que se acham muito bons,

Mas não passam de uns gatunos

De chupa-chupas e bombons.

Vegetais mecânicos,

Trogloditas anormais,

Temem versos satânicos

Mas designam-se animais.

Pobres crianças assustadas

Com as suas musicas mecânicas

Pelos cantos lá vão aparecendo embriagados ,

Cómicos e ebrirridentes

Vomitando as próprias goelas,

E a dizer estridentemente:

• Somos reis das ruas e vielas.

Por favor! Não me façam rir mais,

Vós que sois reis e animais

Matai-vos, pois sois demais.

E eu no meu canto escuro

E bolorento.

Com paredes de sangue

Que traz o vento.

Gelo ao olhar o tecto

E lamento.

Tu que guias-te Camões ao mar

Guia-me a mim pelo tempo.

E traz-me a infância,

Que nunca pude recordar.


09/12/1998  C: 20:08 h; A: 21:08 h

Escrever a vida

Escrever um poema

É como criar uma vida.

Pobre e despida.

Criar um poema

É espiritual,

Uma vida não tanto,

Pois numa está o sentimento carnal.

Na outra o amor e o pranto.

O que quero escrever não sei,

Tenho apenas esta necessidade de criar.

Estou a meio de uma aula,

Mas não me apetece trabalhar.

Não me culpem! Eu sou assim,

Não por gostar de ser,

Apenas porque tenho de viver.

Não me interessa quem sou,

O que sou, de onde venho.

Não estou onde estou,

Não quero o que tenho.

O tempo da criação chegou

E eu sou estranho,

Não sei, acabou

A vida, o sentido,

Morreu, findou.


08/03/1999